domingo, 7 de setembro de 2008

BEM VINDO A ESTA PÁGINA!

Este espaço é dedicado à divulgação de eventos relacionados com Políticas Educativas com o propósito de ampliar os debates em torno de temáticas tão importantes para a Universidade Pedagógica e para a sociedade moçambicana em geral.
Todos são convidados a participar dos debates sobre os diversos temas que aqui serão postados periodicamente. Contamos com a contribuição valorosa de todos os interessados, sobretudo dos coordenadores dos núcleos que nos ajudarão na moderação dos debates entre a comunidade académica: professores, pesquisadores, estudantes e todos interessados pela área da Educação nas suas diversas vertentes de investigação científica, com vista à troca de experiências e à formulação de propostas que contribuam para o desenvolvimento das Políticas Educativas em Moçambique.

2 comentários:

Rupia disse...

O meu primeiro gesto é de saudar a todos os que tornam possivel este momento no universo academico, no país, na UP. Espero que este seja um espaco de alargamento do conhecimento e de transformacao social em Mocambique. E a UP, atraves do CEPE é, sem duvida, um dos fundamentais agentes institucionais nesse processo de longa duracao. mais uma vez: Parabens. Considerando um espaco de reflexao, pretendo contribuir para a reflexao educativa neste espaco em proximos momentos

Rupia disse...

Os novos contornos do Ensino Superior e o Mercado


No momento em que escrevo esta reflexão, trabalho numa matéria de caris acadêmica e, de forma mais exaustiva, me debruço em torno do que proponho a reflexão aqui.
Dentro de um jogo de limitações (como o acesso e reduzida disponibilidade de tempo), devido a minha condição de emigrante, tive, ainda assim a possibilidade de ler duas notícias ligadas a educação e ao ensino superior particularmente. Uma que dava a conhecer que a UEM passará a partir do próximo ano a adoptar o sistema de três ciclos de ensino (NOTICIAS, 3 de outubro: 2008); A outra que dava conta da cerimônia de graduação de estudantes, que contou com a simpática presença do Sr Ministro da Educação e de um alto representante das Nações Unidas, Director Executivo do Instituto das Nações Unidas para Formação e Pesquisa (NOTICIAS, 4 de outubro: 2008).
Estas duas notícias interessaram-me pelos conteúdos das mesmas e pelos discursos que foram proferidos. Se a elas associar a revisão curricular em curso na UP, encontro elementos para a presente reflexão
Não sou um especialista em Currículo, a estes reservo a análise da qualidade no ensino superior, se existir esse interesse. Ora, meu interesse passa por olhar para estes acontecimentos e discursos porque eles marcam uma tendência e uma época.
Porque discursos de poder, expressam o pensamento de um determinado grupo social, ou seja, de um sujeito colectivo que se exprime através de um autor. Importa resgatar alguns momentos desses discursos para sustentar minha tomada de posição: segundo o jornal noticias, “As universidades africanas devem passar da simples função de conferir diplomas, passando a assumir uma responsabilidade importante na concepção estratégica e na formação de capacidades analíticas para sustentar a transformação do continente. As universidades devem ser caixas de ideias e construir redes de conhecimento para lançar o debate sobre o papel do continente na actual crise do multilateralismo. Esta visão foi defendida ontem, em Maputo, pelo Professor Doutor Carlos Lopes, durante a cerimónia de graduação de 555 estudantes da Universidade A Politécnica.
Por seu turno, o Ministro da Educação e Cultura, Aires Aly, que presidiu a cerimónia, disse que a preocupação em todo o mundo hoje é como reformar as universidades para que se adaptem às rápidas mudanças que ocorrem, em particular nas ciências e na tecnologia, neste mundo cada vez mais globalizado.“Numa sociedade em que cada vez mais se discutem temas das mais diversas áreas de conhecimento, como questões ambientais, bioenergia, redução da pobreza, aumento de alimentos, precisamos de formar cidadãos cada vez mais preparados para apreciar e enfrentar os riscos e ou os benefícios da inovação”, salientando que “precisamos de estar preparados para encarar os desafios da integração regional como actores importantes e capazes de tirar vantagens deste processo”
Em 1994 o Banco Mundial através de seu celebre (?) documento O Higher Education: THe lessons of Experience fazia recomendações aos países como o nosso para reduzir investimentos supérfluos e concentrassem na educação básica porque desse modo ocorria um maior retorno social e individual, ao invés de investir no ensino superior. Esse mesmo documento considerava que o melhor modelo universitário para os países em desenvolvimento era o de ensino. O modelo de pesquisa (como o europeu) era bastante oneroso e, por isso, não aconselhável. Este organismo tem a concepção de que a educação superior é antes um bem privado do que público (Conferencia Mundial sobre educação superior, 1998).
. O meu ponto é: O ensino superior em Moçambique enfrenta um desafio de identidade
Importa para fins de compreensão fazer a distinção entre modelos clássicos –francês/napoleônico, alemão/humboldtiano, inglês/newmaniano ou americano e os emergentes como o da universidade mundial do BM (ou anglo-saxônico) ou, ainda, o de Bolonha, da U. Europeia. Por racionalidade de espaço privo-me de caracterizá-los. Os modelos clássicos têm sido objecto de adaptações, sobretudo o napoleônico – da especialização e profissionalização – e o humboldtiano – do primado da produção do saber e da formação livre, da unidade de pesquisa e do ensino, fazendo surgir o modelo neoprofissional de instituições de ensino superior ou de universidade. O modelo de Bolonha surge devido a predominância de universidades estatais, ao tipo de ensino que era determinado pelos docentes, a pouca integração das universidades com empresas e com a sociedade, o baixo financiamento de natureza privada, os poucos serviços prestados à sociedade, a rigidez estrutural, sérios problemas de eficácia e eficiência acadêmicas, etc. isso fazia com que a educação superior européia perdesse competitividade a nível internacional e diminuísse a sua atratividade para estudantes de outros países (EUA), e ela tornar-se-ia mais aguda no momento em que a educação superior passa a ser considerada um bem de natureza comercial.
Ora, uma das marcas indeléveis dos povos que foram sujeitos à colonização é a sua disponibilidade para apropriarem-se de criações ocidentais e transformarem-nas em suas e conferir legitimidade e blindá-las com argumentos indiscutíveis. No caso da educação superior essa constatação vinga com o chamado modelo de Bolonha de ensino que se tornou moda e apropriamos e consideramos como ideal para o nosso sistema de ensino superior.
A par das transformações curriculares, as conseqüências são movimentos em direcção à privatização e de adopção do modelo neoprofissional ou da universidade de ensino, em vez da universidade de pesquisa, ocorre com justificações quer de índole teórica ou prática no nosso país. Nestes casos quem irá formular as teses da legitimação desta reforma é o intelectual orgânico da nova ordem mundial (BM).
A identidade que o ensino superior busca, está marcada pelo modelo de acumulação da economia e da transformação da educação em mercadoria,
relegando para o passado a proclamada universidade como mansão da liberdade, ou a instituição sem a qual não chega a existir um povo (TEIXIERA, )
o devendo ser a mansão da liberdade ou que, na sociedade moderna, ela deveria ser uma instituição imprescindível, “sem a qual não chega a existir um povo”.